Agenda de Dezembro

Dezembro está sendo um mês especialmente literário. Entre sons natalinos e enfeites que ornamentam nossas lembranças do ano que finda e esperanças para o ano que surge no horizonte, um pouco da magia literária pede espaço, para lembrar aos leitores como é bom ter um livro nas mãos.

No último dia 1º de dezembro, tive o prazer de participar de um bate-papo delicioso, sobre criação literária, na Biblioteca BEM da Penha Álvaro Moreyra.

Cartaz Ana Cristina Melo

No próximo dia 13/12 (sábado), é a vez de se deixar encantar com a poesia de Sylvia Orthof. O evento Jequitibá de Poesia, um sarau mensal de leitura de poemas e lançamentos de livros, realizado no Espaço Jequitibá, em Rio das Ostras, vem para uma edição especial, na Universidade Unigranrio, Campus I, no auditório Prof. Wilson Chagas de Araújo, em Duque de Caxias.

Haverá a leitura do roteiro Thof, thof, thof… Poesia de Sylvia Orthof, por mim e outros escritores. E como escritora convidada, haverá autógrafos dos meus lançamentos.

Sarau Jequitibá de poesia mais folder tarde courier

Logo em seguida, no dia 15/12 (segunda), haverá o lançamento do livro “Grandes Histórias da Bíblia”, editado pela Seleções Reader’s Digest, e que traz o reconto de 25 histórias bíblicas, em linguagem contemporânea.

Estou entre os escritores, com o conto que fala da fuga de Pedro da prisão.

A edição está lindíssima! Deixo a dica como um belo presente de Natal.

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[Fazer literário] Aprendendo a revisar seus textos – Parte 1

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Para a maioria dos escritores (digo maioria, pois alguns trabalham página a página até chegar à perfeição), colocar o ponto final em um texto significa tão somente começar tudo de novo. O ponto final apenas indica o fim de uma primeira etapa, na qual a história enfim saiu da nossa imaginação, mas ainda precisa de muitas revisões para se tornar um texto literário. Essa primeira versão, em geral, sai torta, cheia de imperfeições. E é então que começa o trabalho de lapidar, tirar os excessos, consertar o que está estranho e imperfeito.

A forma de revisar é própria de cada escritor. Eu faço isso por camadas. Se não for assim, me perco, e a chance de deixar escapar alguma coisa se torna muito maior. Em cada camada, me preocupo com um tipo de revisão. Claro que, durante a revisão de uma camada, percebendo algo previsto para outra etapa, já corrijo (se for rápido), ou marco para uma revisão futura.

Exemplo: Estou revisando o enredo e percebo uma repetição. Se a solução não vier de primeira, marco as repetições, para corrigir só na revisão de linguagem.

Começo minha revisão pelo enredo. É hora de buscar todos os fios soltos, de ter certeza que nada está inverossímil. Uma vez satisfeita, é hora de lapidar a narrativa: as frases precisam estar no ritmo; o ponto de vista tem que estar ajustado e adequado à história; a linguagem dos personagens precisa estar coerente; os clichês são caçados, sem piedade; o olhar precisa ficar atento às repetições muito próximas, às rimas, às aliterações. Por fim, cuido da correção da querida língua portuguesa. É o momento da ortografia e da gramática.

E acreditem, mesmo com todas essas preocupações, ainda escapa alguma coisa. Escapa porque talvez o texto fique de molho menos tempo do que deveria, porque nosso olhar está viciado, porque fazemos mil coisas ao mesmo tempo, porque sempre precisamos de um segundo olhar sobre nosso original.

Mas não é por isso que vamos relaxar. O ideal é que o texto siga para a editora o mais correto possível. Sim, há revisores por lá, mas o esperado não é que façam um copidesque do seu original.

Então, deixo aqui alguns tópicos para vocês ficarem atentos na revisão de seus textos:

1. Uso do agora

Deve-se tomar cuidado com o uso do “agora”, pois é uma palavra que presentifica demais. Se eu estou narrando um texto no passado, é estranho usar o agora, a não ser que seja um discurso indireto, no qual estou reproduzindo o que foi dito pelo personagem, com ou sem marcação.

2. Cuidado para não exagerar no uso das aspas

3. Verbo dicendi

Em um diálogo, podemos usar um verbo dicendi (verbo de declaração), para incluir uma intervenção do narrador, indicando quem está falando, o sentimento de alguém ou demonstrar alguma ação na cena. Mas existem algumas regras no uso de textos declarativos, intercalados ou não nos diálogos.

1) O texto de intervenção do narrador deve começar em minúscula, exceto no caso de nomes próprios que peçam a maiúscula.

Exemplos:

– Vamos sair daqui, turma! – ordenou Fred. (A Turma do CP-500)

– Você vai dormir aí – disse, apontando a cama nova e estabelecendo os limites. (Caixa de desejos)

– Ora, cancela o passeio quando ele chegar – Karla abriu a sessão de terapia. (De volta à caixa de desejos)

2) O ponto final deve ser colocado no final da intervenção do narrador.

Exemplo:

– Ah, dá um… tempo – reclamou Lena, ofegante. – Não é à toa que os alunos não leem. (A Turma do CP-500)

– Tá certo – concordou Chumbinho. – Só que aqui vai dar na vista. É melhor lá no banheiro. (A Droga da Obediência)

 

3) No caso de vírgula no meio do diálogo, usada para inserir a intervenção do narrador, ela deve ser colocada após o último travessão.

Exemplo:

– Isso é ruim, galera – concluiu Fred –, pois essa gravação poderia ser uma pista importante. (A Turma do CP-500)

 

4) A exceção acontece com o ponto de exclamação ou interrogação, que deve encerrar a frase antes da intervenção do narrador.

Exemplo:

– É mesmo? – sorriu o diretor. – E qual é ela? (A Droga da Obediência)

– Muito prazer! – respondi com cara de idiota. – O que veio fazer no Rio? Só procurar por ela? (De volta à caixa de desejos)

– Você está triste? – ela me perguntou. (Caixa de desejos)

 

5) Não use “falar” como verbo dicendi.

Sempre li que dizer, falar, perguntar, responder, entre outros, eram verbos dicendi.

Contudo, nas últimas revisões dos meus livros (de editoras diferentes), reparei que toda vez que eu usava “falou Fulano”, a revisora trocava para “disse Fulano”.

Fui pesquisar o motivo e descobri muitos textos sobre verbos dicendi, que entre eles trazia o verbo falar. Mas encontrei a matéria http://colunas.gazetaweb.globo.com/platb/dicasdeportugues/2008/04/04/dizer-e-falar, alertando que o verbo falar não é um verbo declaratório.

Então, meu conselho é: evitem o verbo falar como verbo dicendi.

 

4. Números e numerais

– Os números até dez são escritos por extenso e não em algarismos. Acima de dez, usa-se o numeral. Opta-se também por usar o extenso para cem ou mil.

Exemplo: zero, um, dois, dez, 11, 12, cem, mil.

– Números próximos devem manter a mesma forma.

Exemplo: “5 e 20” ou “cinco e vinte”.

Obs: Pode ser que a editora opte por trabalhar com uma das formas.

– As datas são grafadas com algarismos e não deve usar ponto para separar o milhar do ano. Contudo se a data for significativa, pode adotar os dois formatos.

Exemplo: 22 de abril de 1500 / Primeiro de Maio ou 1º de Maio

5. Pleonasmos e cacófatos

Fujam dos pleonasmos e dos cacófatos.

Exemplos de pleonasmos: há cinco meses atrás; inaugurar novos hospitais; subir para cima; lançar um novo livro; ganhe grátis; conviver junto; acabamento final.

Exemplos de cacófatos: ela tinha; uma maneira; por razão; nunca mais; por causa.

 

Num próximo post, trarei novas dicas.

Abaixo os livros dos quais tirei os exemplos:

– A Droga da Obediência (Ed. Moderna), de Pedro Bandeira

A Turma do CP-500: o mistério da casa de pedras (Ed. Escrita Fina), de Ana Cristina Melo

– Caixa de desejos (Ed. Tordesilhas), de Ana Cristina Melo

– De volta à caixa de desejos (Ed. Tordesilhas), de Ana Cristina Melo

 

 

Novas resenhas do Caixa de Desejos e De volta à Caixa de Desejos

Viva!!! Saíram novas resenhas sobre meus livros “Caixa de Desejos” e “De volta à Caixa de Desejos”.

Amei a atenção na leitura, a análise que fizeram das minhas personagens queridas.

A primeira resenha foi publicada dia 19/06, no blog Tô Pensando em LerVou destacar uma frase da resenha que me alegrou muito:

“É narrado em primeira pessoa de maneira leve e extremamente ágil. Como se a própria Marília estivesse aqui do lado contando sua história.”

Leiam em http://topensandoemler.blogspot.com.br/2014/06/resenha-caixa-de-desejos.html.

A segunda resenha foi publicada ontem, dia 23/06, no blog Escrev’Arte. Além das resenhas dos dois livros, o blog publicou também uma entrevista comigo. Gostei muito das perguntas e acho que o resultado ficou bem legal!

Vou destacar uma frase muito delicada sobre a impressão que a Rê Souza teve sobre meu livro:

“Ana Cristina Melo consegue, através de uma linguagem acessível e fluente, captar com esmero não só a angústia e as incertezas, mas também os sonhos e a alegria que permeiam esta fase da vida tão desorientadora quanto determinante na formação do adulto que dela se originará.”

Leiam em http://escrev-arte.blogspot.com.br/2014/06/arte-e-cultura-entrevista-com-autora.html.

Atualização em 25/06/2014:

Vou aproveitar o último post para divulgar a terceira resenha que saiu sobre os novos livros. Essa está no blog Poesia na Alma.

As resenhas foram publicadas no dia 11/06 e estão em
http://poesianaalmaliteraria.blogspot.com.br/2014/06/resenha-caixa-de-desejos.html e

http://poesianaalmaliteraria.blogspot.com.br/2014/06/resenha-de-volta-caixa-de-desejos-ana.html

Fico imensamente feliz quando os leitores conseguem captar a ideia do livro. Um adulto, para ler um livro infantojuvenil ou juvenil, precisa estar com a mente aberta, alcançar a idade de cada personagem e entender a história do seu ponto de vista. Como diz o título do blog, ter a poesia na alma.

Para mostrar como essa resenha do “Caixa” embalou meu dia vou destacar duas frases:

“Em poucas horas degustei a excepcional história de Marília. E perguntei-me: como eu não conhecia a autora? Como uma professora de literatura pode não conhecer a obra de Ana Cristina? É magnífica para a sala de aula! (…)

A autora foi feliz até nas citações literárias, que deixaram o livro leve, sem aquele drama doentio que muitos autores dosam por aí… tem amor, tem drama de adolescente, família, escola, mas tudo na medida perfeita para uma obra que prima pela excelência.”

E mais uma frase da resenha do “De volta”:

“Para nosso gosto, os conflitos vividos por Marília estão dentro da faixa etária dela, nos dois livros. No primeiro a autora primou pela magia poética da pré-adolescência. Já o segundo nos remete a um universo mais visceral e agressivo, próprio do universo adolescente. Uma Marília desleixada e bagunceira, ainda romântica e apaixonada pela vida, cheia de problemas e, agora, amigas e um namorado ciumento.”

Só posso dizer a todos os blogueiros: Obrigada, de coração!

Participação na Feira Literária de Caxias

No último dia 13 tive o prazer de participar de uma mesa de debate, na Biblioteca Municipal Governador Leonel de Moura Brizola, durante a Feira Literária de Caxias.

Durante uma hora, eu, Hellenice Ferreira, Anielizabeth e André Côrtes, com a inteligente e instigante mediação de José Prado, falamos sobre o tema “Palavra e imagem: as linguagens e seus diálogos na construção do livro infantil e juvenil”. Puro encantamento!

Que possamos ter muitos e muitos encontros como esse, para falar, curtir e divulgar a literatura.

Curtam algumas fotos. Crédito de Betho Silva.

 

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[Fazer literário] Está comprovado: escrever melhor faz bem ao cérebro!

Leitura

Acabo de ler um artigo muito interessante, publicado no The New York Times, em março de 2012, que traz pesquisas que demonstram como nosso cérebro trabalha durante a leitura de um texto ficcional.

O artigo Your Brain on Fiction (“Seu cérebro na ficção”) trata de pesquisas realizadas por neurocientistas, por meio de escaneamento cerebral, indicando os efeitos da leitura em nosso cérebro.

De acordo com o texto, descrições detalhadas de uma cena, uma metáfora evocativa ou uma cena emotiva entre personagens estimulam o cérebro a ponto de influenciar a forma como agimos.

Sabemos que existem áreas específicas no cérebro que são responsáveis por interpretar as palavras escritas. Contudo, os cientistas estão comprovando que mais do que as palavras, as narrativas ativam várias outras áreas cerebrais, fazendo com que o leitor sinta vida no que está lendo.

De acordo com o artigo, palavras como “lavanda”, “canela” e “sabão” não só ativam as áreas cerebrais de processamento de linguagem, mas podem também estimular a área que identifica os cheiros.

Para provar essa teoria, pesquisadores espanhóis, em 2006, desenvolveram um estudo no qual pediam a alguns participantes que lessem palavras associadas ao odor e palavras neutras, enquanto seus cérebros eram escaneados por uma máquina de ressonância magnética funcional. O resultado foi que ao olhar palavras como “perfume” e “café”, o córtex olfativo era iluminado, enquanto que a mesma região permanecia escura diante das palavras “cadeira” e “chave”.

As metáforas também se tornaram fontes de estudo. Pesquisas mostraram que expressões tão corriqueiras que se tornaram clichês não afetam o cérebro como expressões novas. De acordo com alguns cientistas, figuras de linguagens como “um dia difícil” são tão familiares que são tratadas pelo cérebro como meras palavras e nada mais. Já, de acordo com pesquisadores da Universidade de Emory, quando indivíduos realizaram a leitura de uma metáfora envolvendo textura, o córtex sensorial, responsável por perceber a textura através do toque, tornou-se ativo. Metáforas como: “O cantor tinha uma voz de veludo” e “Ele tinha mãos de couro” despertaram o córtex sensorial, enquanto que frases simplificadas como “A cantora tinha uma voz agradável” e “Ele tinha mãos fortes” não tiveram o mesmo resultado.

Na mesma linha de pesquisa, exames mostraram que palavras que descrevem o movimento também estimulam regiões do cérebro distintas do processamento da linguagem. No caso, frases como “João agarrou o objeto” e “Pablo chutou a bola” despertaram atividades no córtex motor, que coordena os movimentos do corpo.

Keith Oaley, romancista e professor emérito de Psicologia Cognitiva da Universidade de Toronto, propôs que a leitura produz uma simulação viva da realidade que funciona na mente dos leitores do mesmo modo que as simulações de computadores são rodadas nos computadores. Assim, o nosso cérebro, ao que parece, não faz muita distinção entre ler sobre uma experiência ou vivê-la, estimulando em ambos os casos as mesmas regiões neurológicas. Portanto, a ficção, com seus detalhes, metáforas imaginativas e descrições atentas de pessoas e ações, oferece uma réplica especialmente rica da realidade. Em síntese, de acordo com pesquisas publicadas pelo Dr. Oaley, indivíduos que leem ficção com frequência parecem mais capazes de compreender e se relacionar com seu semelhante.

Resultados como esses só comprovam o que nós, leitores apaixonados, sabemos há muito tempo: ler é mais do que um prazer, mas também uma grande ferramenta que permite nos tornarmos melhores como seres humanos.

Deixo o convite para vocês lerem o artigo na íntegra. E deixo o post como reflexão para leitores e escritores. Se esse estudo corrobora o prazer que é a leitura, também nos intima a manter esse prazer e esse compromisso em nosso texto. No último post que falei sobre fazer literário, citei a importância de se eliminar os clichês da escrita. E agora trago a prova que precisamos de textos que evoquem muito mais em cada leitor.

1ª resenha do Caixa de Desejos, pela nova edição da Tordesilhas

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Que delícia!!!

Saiu a 1ª resenha do meu livro “Caixa de Desejos”, na novíssima e linda edição da Editora Tordesilhas.

A resenha é do blog Cultivando a Leitura e está muito boa! Foi uma leitura cuidadosa, atenta às personagens, ao enredo. Amei!

Sem dúvida, o trabalho de divulgação feito pelos blogs literários tornou-se um divisor para a literatura nacional. Viva!

Que venham novas resenhas!

 

Festa Literária de Caxias

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Na próxima sexta-feira é Dia de Santo Antônio! E nada melhor do que o dia do santo casamenteiro para falarmos de uma grande paixão: a literatura.

Estarei na Festa Literária de Caxias, participando de uma mesa maravilhosa com o tema: “PALAVRA E IMAGEM: AS LINGUAGENS E SEUS DIÁLOGOS NA CONSTRUÇÃO DO LIVRO INFANTIL E JUVENIL”.

Convidados: Anielizabeth, André Côrtes, Martha Werneck, Ana Cristina Melo e Maria Inez Espírito Santo

Mediação: José Prado

No dia 14 de Junho, das 13 às 14 horas, haverá outra mesa imperdível: “LITERATURA INFANTIL E JUVENIL: SEU ESPAÇO E FUNÇÃO NO COTIDIANO ESCOLAR”, com Anielizabeth, Antonella Flavia Catinari, Cintia Barreto e Georgina Martins.