Leituras de 2011

Crédito: Banco de Imagens (Free) do MS-Office

Termino o ano de 2011 e faço um balanço das minhas leituras. Li 112 livros, entre romances, contos, poesias, infantojuvenis e teorias literárias.

Uma quantidade razoável. Tenho lido menos do que gostaria, pois o tempo livre precisa ser dividido entre criação e inspiração. Sim, a leitura é fonte de inspiração, fonte de energia. Não é à toa que, nesse final de ano, quando minhas energias parecem esgotadas, só tive vontade de ler e assistir a filmes.

Espero que amanhã eu me renove, que se renove a energia para escrever, para rever meus textos.

Sobre as leituras, começo um novo ano em boa companhia. Abro a lista de 2012 com Claraboia, de José Saramago, seu romance póstumo que, na realidade, deveria ter sido seu romance de estreia.

Pensei em relacionar meus livros preferidos de 2011, não os que foram publicados no ano, mas os que eu li desde janeiro. Li muita coisa boa, mas decidi citar apenas aqueles títulos de ficção que me deixaram com gosto de quero mais, que foram irrepreensíveis na conquista autor-leitor.

 Então vamos lá. A ordem é de leitura no ano. Curtam e embarquem, se desejarem. Eu assino embaixo.

A Humilhação, de Philip Roth (Companhia das Letras). Romance.

Simon Axler, um renomado ator de teatro de 65 anos, constata que não sabe mais atuar. Para completar, parece que toda sua vida vira uma sequência de perdas. Numa tentativa de se recuperar, após um tempo internado numa clínica psiquiátrica, ele se envolve com uma mulher mais jovem, homossexual, filha de um casal de amigos. Mais uma narrativa de Roth que aborda os contornos da velhice, suas perdas e sua relação com a morte. Um texto forte e marcante.

Jogo da Memória, de Laura Bergallo (Escrita Fina). Juvenil.

Laura Bergallo pega dois temas intensos, como a relação avô e neto e o que uma doença terrível como o Mal de Alzheimer faz a uma família e costura numa história belíssima, jovem, com linguagem cativante e com um toque de mistério. Vô Pietro é um italiano bem-humorado que vence toda família no jogo da memória. Mas quando ele perde o jeito da disputa, a família percebe que algo de errado está acontencendo. Mas Lucca, seu neto, acaba descobrindo que a memória do seu avô foi roubada por uma quadrilha de perigosos bandidos, que ganham dinheiro vendendo as lembranças alheias. Com a ajuda dos primos, Lucca vai armar um plano para recuperar a memória do avô.

Caderno de Liliana, de Livia Garcia-Roza (Companhia das Letras). Juvenil.

Livro novo de Livia Garcia-Roza é sempre uma expectativa que nos oferece textos de grande sensibilidade. Nesse juvenil, voltado para todas as idades, Livia trata de um tema difícil que é a perda da mãe. Liliana descobre o quanto é horrível essa ausência. Para lidar com isso, ela inicia um diálogo com a mãe, por meio de seu caderno. E é nessa espécie de diário que Liliana vai entender essa perda, lidar com seus sentimentos, reorganizá-los e se descobrir uma nova menina.

Azul-corvo, de Adriana Lisboa (Rocco). Romance.

Adriana Lisboa fala nesse romance sobre não pertencer. Não pertencemos a um lugar, a um relacionamento, à nossa própria história. É essa a impressão que temos dos personagens, de Evangelina, que após perder a mãe, decide ir morar com Fernando, ex-marido de sua mãe, nos Estados Unidos, na cidade de Colorado. Tudo com o intuito de achar seu pai, que ela não conheceu. Com o avançar da narrativa, nos preocupamos menos se ela conseguirá seu objetivo, e mais com suas descobertas nessa nova vida.

O dia seguinte, de Luis Eduardo Matta (Escrita Fina). Juvenil.

Luis Eduardo Matta é um grande autor de thriller e é esse toque ágil e contagiante que achamos nesse juvenil, para todas as idades. Dois garotos, um brasileiro de origem muçulmana e um judeu norte-americano, se veem no dia seguinte ao ataque das Torres Gêmeas, numa busca eletrizante. Antônio voa para os EUA para achar o pai que estava desaparecido. Mas ele acaba se deparando com nova tragédia, pois sua mãe morre no ataque das torres gêmeas, quando se reunia com o sócio do marido, pai de Michael. Antônio e Michael, então, enfrentam o dia seguinte ao maior atentado, para tentar descobrir o paradeiro de Farid, pai de Antônio. Numa trama muito bem montada, Matta nos envolve a cada capítulo, nos deixando com a respiração suspensa e com o gosto de satisfação ao chegar no ponto final.

Pra voar mais alto, de Flávia Côrtes (Editora Biruta). Juvenil.

Esse é um livro que fala sobre saudade, a saudade que um menino sente do pai, ao mesmo tempo que precisa lidar com a chegada de uma nova figura masculina. Mas a imaginação de Quequé, apelido desse menino, o carregará para um mundo novo, onde ele pode aprender a lidar com seus sentimentos.

Barbara debaixo de chuva, de Nilma Lacerda (Record). Juvenil.

Com uma linguagem deliciosa, que nos carrega para o interior, Nilma nos apresenta uma menina que luta com o desejo de liberdade e a própria liberdade que aprender a ler pode lhe oferecer. Barbara mora numa fazenda e adora tomar banho de chuva. Mais do que isso: esse banho, essa renovação tem um significado especial pra ela. Mas quando a nova dona da fazenda determina que ela precisa ir para a escola, Barbara tem que lidar não só com suas dificuldades, como também com a perda de seu maior bem.

Cartas Exemplares, de Gustave Flaubert (Imago). Não-ficção.

Nesse livro, acompanhamos as angústias de Flaubert, entendendo o quanto ele era exigente com seus textos. Mas nas entrelinhas de seus desabafos, aprendemos muito com esse grande autor. Acompanhamos as dificuldades que Flaubert viveu na construção não só de seu maior romance, Madame Bovary, como de outros textos de sucesso.

Até eu te encontrar, de Graciela Mayrink (Vermelho Marinho). Romance YoungAdult.

Em seu romance de estreia, Graciela demonstra segurança e nos apresenta um romance de enredo cativante. Flávia vai estudar Agronomia na Universidade Federal de Viçosa e lá conhece uma amiga de infância da sua mãe, que lhe revela segredos de família que ela sequer imaginava. Em meio a tudo isso, ela tenta descobrir quem é sua alma-gêmea, enquanto lida com uma paixão não correspondida por seu melhor amigo.

Amor sem fim, de Ian McEwan (Companhia das Letras). Romance.

Aqui eu faço uma exceção. Não gostei de alguns momentos desse romance, mas o domínio de enredo e a linguagem de McEwan são tão envolventes, que esses pequenos trechos podem ser desprezados, para curtirmos um livro que não só traz nas entrelinhas uma aula de literatura, como nos apresenta um enredo cheio de caminhos. Joe tinha planejado um piquenique para comemorar o retorno de sua mulher, depois de uma longa viagem de trabalho, mas o grito inesperado de um homem, dá início a uma sucessão de eventos, sendo um deles trágico, que muda toda sua vida.

A mocinha do Mercado Central, de Stella Maris Rezende (Globo). Juvenil.

Stella Maris é uma fada que nos encanta a cada frase. Nesse livro, ela nos encanta ao apresentar Maria Campos, uma mocinha do interior de Minas Gerais que decide correr o mundo buscando significados para sua vida. E, nessa busca, ela incorpora personagens diferentes e, a cada personagem, seu nome se torna outro, sua vida ganha uma camada especial. Até uma paixão por um grande ator ela experimenta. Não importa em que cidade ela esteja, ou que experiência ela viva, elas estarão sempre costuradas pelo lirismo e o encanto de Stella.

Traduzindo Hannah, de Ronaldo Wrobel (Record). Romance.

Max, um judeu imigrante num Rio de Janeiro que ainda era capital, só pensava em consertar os sapatos de seus clientes. Mas o destino o força a trabalhar para o governo, traduzindo cartas em hebraico, na censura postal. Entre cartas que falam de ingredientes, casamentos ou mortes em família, ele se depara com a carta de Hannah para sua irmã, em Buenos Aires. E sua vida, até então tranquila, passa a girar em função da vida de Hannah. Num romance cativante, onde nada é o que parece, vamos acompanhando a angústia de Max, suas descobertas e decepções.

Acanãs, de Julio Rocha (Vermelho Marinho). Juvenil. (Em 2012, nova edição).

Julio domina a técnica para prender a atenção do leitor. Nesse romance juvenil, que é o primeiro da série, ele apresenta um Rio de Janeiro prestes a ser devastado pela força da natureza. Jovens comuns tentam evitar que uma guerra seja declarada entre Aioas e Acanãs. Luana é uma Acanã e Pedro é um Aioa: dois clãs inimigos, desde que foram criados no século XIX. O destino os coloca lado a lado, na busca de uma lança mágica que pode evitar que uma tragédia aconteça.

A felicidade é fácil, de Edney Silvestre (Editora Record). Romance

A narrativa ágil e cativante de Edney Silvestre se tornou pública com seu premiado romance de estreia, Se eu fechar os olhos agora. Em seu novo romance, Edney traz um importante momento político traçado numa narrativa envolvente. Com elementos da narrativa policial, ele apresenta duas histórias fortes: o sequestro por engano de um menino, que por ser loiro e ter olhos claros é confundido com o filho do casal Olavo e Mara; e a própria história dos dois, que vivem num mundo em que não há dificuldades financeiras, mas a felicidade não é assim tão fácil de alcançar.

Quarto, de Emma Donogue (Verus Editora – Grupo Record). Romance.

Há muito tempo eu não lia um romance tão intenso. Apesar de discordar algumas vezes da forma do narrador se expressar, visto que é um menino de 5 anos, não posso tirar o mérito desse romance, que apresenta um aprofundamento psicológico que nos faz refletir a cada página. Jack, um menino de 5 anos muito inteligente, vive num quarto, que é o único mundo que conhece. É onde ele nasceu e cresceu, vivendo com sua mãe, que está sendo mantida presa ali pelo velho Nick, há sete anos. Com determinação e imenso amor maternal, a mãe criou naquele cubículo um universo para seu filho, mas ela sabe que isso não é o bastante. E, de repente, tudo se torna sufocante demais. Então, um plano de fuga é traçado e ela precisará da bravura de seu filho para que tudo dê certo.

Tudo aquilo que nunca foi dito, de Marc Levy (Suma de Letras). Romance

Esse foi o primeiro romance dele que eu li, apesar de já ter assistido ao filme baseado em seu romance de estreia – E se fosse verdade. Confesso que me surpreendi. Nem sempre um livro que ocupa a lista de mais vendidos me arrebata como um grande texto, mas Marc Levy conseguiu isso. Num texto ágil e cativante, vamos conhecendo a vida de Julia e sua difícil relação com o pai, Anthony Walsh. Às vésperas de seu casamento, Julia tem certeza que Anthony não irá aparecer para a cerimônia, e realmente isso acontece, mas por um motivo forte: ele morreu. Julia se vê forçada a adiar o casamento e, em seguida, precisa lidar com um presente que o pai lhe mandou, como herança, que poderá mudar toda sua vida, principalmente por permitir que um diga ao outro tudo aquilo que nunca foi dito.

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