Meu encontro com “A louca da casa”

Não lembro quem me indicou esse livro pela primeira vez. Mas a ideia não me abandonou: ler o quanto antes A louca da casa de Rosa Montero. Procurava as edições nas livrarias e não estava disponível.

Na última Bienal, entrei no estande da Ediouro para comprar palavras cruzadas para os meus filhos, quando resolvi conferir a seção de literatura. Para minha surpresa, o livro – um pocket book – estava lá na seção de saldo. Sorte minha. Um pecado com a obra!

Ele foi para minha estante, para entrar na fila do “a ler” (ver post “Livros que pretendo ler em 2012”). Depois do post, recebi os incentivos dos amigos Flavia e Marcelo e decidi colocá-lo no topo da fila.

Hoje, iniciei sua leitura, em paralelo com Claraboia do Saramago. Resultado: estou FASCINADA!

É um livro fantástico! Em um dia cheguei praticamente na metade dele. Algo fácil, diante da narrativa que é cativante e fluida. Rosa mistura ensaio sobre a arte de escrever com suas próprias experiências. Uma simbiose perfeita. 

Como diz na quarta capa, “o fascinante universo revelado neste livro indefinível é resumido com perfeição na frase de Santa Teresa de Jesus: ‘A imaginação é a louca da casa'”.

Rosa é escritora e jornalista e traduz nossos altos e baixos nesse livro com precisão cirúrgica. Ouvi o eco de minhas crenças e angústias.

Sempre digo que escrevo 24 horas por dia, pois escrevo a cada respiração, a cada olhar, a cada passo. Rosa confirma isso quando diz “que se escreve sobretudo dentro da cabeça. É um runrum criativo que nos acompanha enquanto estamos dirigindo, ou levando o cachorro para passear, ou na cama tentando dormir. A gente escreve o tempo todo.”

A autora também me ajudou em uma das minhas maiores loucuras, a de ficcionar qualquer situação na minha vida, logo sacando da carteira o “e se”, para dar início a uma ficção com direito a passado, presente e futuro.

Escritores, ouçam meu conselho! Leiam esse livro. Reflitam sobre cada capítulo. Alegrem-se por encontrar uma voz tão próxima. Reflitam com as constatações que somos todos loucos de um jeito especial. Uma loucura sadia, que nos toma todos os segundos, mas que precisa de controle.

Gostaria de citar aqui todas as passagens que marquei, tudo que assinalei como “Muito bom!”. Mas acabaria transcrevendo o livro todo e isso não posso.

Apenas vou provocá-los com uma última frase: “Enquanto permanecem no rutilante limbo do imaginário, enquanto são somente ideias e projetos, seus livros são absolutamente maravilhosos, os melhores livros que já foram escritos”.

Conclusão: mesmo sem terminar o livro, já classifico A louca da casa, de Rosa Montero, como o meu 1º livro marcante de 2012.

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Algumas informações sobre o livro:

Título: A louca da casa
Autora: Rosa Montero
Editora: Ediouro
Tradução: Ari Roitman e Paulina Wacht

Quarta capa:

Em A louca da casa, Rosa Montero propõe aos leitores um jogo narrativo cheio de reviravoltas. Mistura de romance, ensaio e autobiografia, nele se confundem literatura e vida, como num baú mágico cheio de surpresas.

E assim descobrimos que o grande Goethe adulava os poderosos até chegar ao ridículo, que Tolstói era um energúmeno, e que a própria Rosa, aos 23 anos, manteve um excêntrico e hilariante romance com um ator famoso. Mas não devemos confiar em tudo o que a autora conta sobre si mesma: as lembranças nem sempre são o que parecem.

O fascinante universo revelado neste livro indefinível é resumido com perfeição na frase de Santa Teresa de Jesus: “A imaginação é a louca da casa.” Um livro sobre a fantasia e os sonhos, sobre a loucura e a paixão, sobre os medos e as dúvidas dos escritores e dos leitores.

Em um percurso pelos caminhos sinuosos da fantasia, da criação artística e das lembranças mais secretas, A louca da casa é, antes de mais nada, a tórrida história de amor e de salvação entre Rosa Montero e sua imaginação.

Sobre a autora:

Rosa Montero nasceu em Madri, em 1951. Trabalhou nos principais veículos da imprensa espanhola e desde 1976 é colunista exclusiva do jornal El País. Autora de vários textos jornalísticos, estreou como escritora em 1979, com Crónica del desamor. Depois vieram várias obras, entre elas A filha do canibal, lançada pela Ediouro em 2007, que lhe rendeu o prêmio Primavera.

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Esse final de semana é de passeio com as crianças e de fechar a edição de janeiro do jornal Sobrecapa Literal.

 

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3 pensamentos sobre “Meu encontro com “A louca da casa”

  1. Ao ler “A louca da Casa” fui, igulamente, arrebatada pela riqueza do texto e, como aprendiz disciplinada, o reli para guardar e aprender todos os segredos da boa escrita. Fiquei feliz agora, porque, a partir da leitura desta publicação, vi que minha opinião crítica sobre o livro foi correta. Grande livro.

  2. Conheci ROSA MONTERO em 97. Era uma edição portuguesa de HISTÓRIAS DE MULHERES, presente de um amigo em Lisboa. Biografia não acadêmica e resumida de mulheres que se destacaram na literatura ou em sua época, como Alma Mahler. Senti que estava conhecendo uma escritora de muito talento. Suas observações sobre a vida, os seres humanos, a escrita/escritores, a narrativa fluída me apaixonaram e aí queria saber tudo sobre Rosa. Li todas suas publicações no Brasil: A LOUCA DA CASA, PAIXÕES, INSTRUÇÕES PARA SALVAR O MUNDO, HISTORIA DO REI´TRANSPARENTE (idade média), A FILHA DO CANIBAL. “A LOUCA DA CASA” é o trabalho perfeito Que venham outros livros de Rosa.
    Ana,
    parabéns pelo seu dinamismo/conquistas
    Creusa

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