[Fazer literário] Está comprovado: escrever melhor faz bem ao cérebro!

Leitura

Acabo de ler um artigo muito interessante, publicado no The New York Times, em março de 2012, que traz pesquisas que demonstram como nosso cérebro trabalha durante a leitura de um texto ficcional.

O artigo Your Brain on Fiction (“Seu cérebro na ficção”) trata de pesquisas realizadas por neurocientistas, por meio de escaneamento cerebral, indicando os efeitos da leitura em nosso cérebro.

De acordo com o texto, descrições detalhadas de uma cena, uma metáfora evocativa ou uma cena emotiva entre personagens estimulam o cérebro a ponto de influenciar a forma como agimos.

Sabemos que existem áreas específicas no cérebro que são responsáveis por interpretar as palavras escritas. Contudo, os cientistas estão comprovando que mais do que as palavras, as narrativas ativam várias outras áreas cerebrais, fazendo com que o leitor sinta vida no que está lendo.

De acordo com o artigo, palavras como “lavanda”, “canela” e “sabão” não só ativam as áreas cerebrais de processamento de linguagem, mas podem também estimular a área que identifica os cheiros.

Para provar essa teoria, pesquisadores espanhóis, em 2006, desenvolveram um estudo no qual pediam a alguns participantes que lessem palavras associadas ao odor e palavras neutras, enquanto seus cérebros eram escaneados por uma máquina de ressonância magnética funcional. O resultado foi que ao olhar palavras como “perfume” e “café”, o córtex olfativo era iluminado, enquanto que a mesma região permanecia escura diante das palavras “cadeira” e “chave”.

As metáforas também se tornaram fontes de estudo. Pesquisas mostraram que expressões tão corriqueiras que se tornaram clichês não afetam o cérebro como expressões novas. De acordo com alguns cientistas, figuras de linguagens como “um dia difícil” são tão familiares que são tratadas pelo cérebro como meras palavras e nada mais. Já, de acordo com pesquisadores da Universidade de Emory, quando indivíduos realizaram a leitura de uma metáfora envolvendo textura, o córtex sensorial, responsável por perceber a textura através do toque, tornou-se ativo. Metáforas como: “O cantor tinha uma voz de veludo” e “Ele tinha mãos de couro” despertaram o córtex sensorial, enquanto que frases simplificadas como “A cantora tinha uma voz agradável” e “Ele tinha mãos fortes” não tiveram o mesmo resultado.

Na mesma linha de pesquisa, exames mostraram que palavras que descrevem o movimento também estimulam regiões do cérebro distintas do processamento da linguagem. No caso, frases como “João agarrou o objeto” e “Pablo chutou a bola” despertaram atividades no córtex motor, que coordena os movimentos do corpo.

Keith Oaley, romancista e professor emérito de Psicologia Cognitiva da Universidade de Toronto, propôs que a leitura produz uma simulação viva da realidade que funciona na mente dos leitores do mesmo modo que as simulações de computadores são rodadas nos computadores. Assim, o nosso cérebro, ao que parece, não faz muita distinção entre ler sobre uma experiência ou vivê-la, estimulando em ambos os casos as mesmas regiões neurológicas. Portanto, a ficção, com seus detalhes, metáforas imaginativas e descrições atentas de pessoas e ações, oferece uma réplica especialmente rica da realidade. Em síntese, de acordo com pesquisas publicadas pelo Dr. Oaley, indivíduos que leem ficção com frequência parecem mais capazes de compreender e se relacionar com seu semelhante.

Resultados como esses só comprovam o que nós, leitores apaixonados, sabemos há muito tempo: ler é mais do que um prazer, mas também uma grande ferramenta que permite nos tornarmos melhores como seres humanos.

Deixo o convite para vocês lerem o artigo na íntegra. E deixo o post como reflexão para leitores e escritores. Se esse estudo corrobora o prazer que é a leitura, também nos intima a manter esse prazer e esse compromisso em nosso texto. No último post que falei sobre fazer literário, citei a importância de se eliminar os clichês da escrita. E agora trago a prova que precisamos de textos que evoquem muito mais em cada leitor.

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